sábado, 29 de novembro de 2008

Céu ( .cfs.)

Nublado, azul ou estrelado, ele amava o céu.
Aprendeu a voar com o pai, veterano de guerra, que trabalhava pulverizando plantações depois de voltar do front.
Certo dia, pouco depois de seu pai morrer, teve um lampejo: voaria em direção ao pôr do sol. E voaria numa velocidade tal que acompanharia o astro, de forma que seu dia nunca acabaria e a morte não o alcançaria, pois jamais envelheceria novamente.
Permaneceria, para sempre, no ar, no seu lar, no lugar a que pertencia.
Empenhou dois anos, à construção do avião mais rápido já produzido, capaz de voar tão rápido que, quando o combustível acabasse, já teria atingido velocidade suficiente para permanecer no céu para sempre.
Quando, enfim, acabou de construir seu avião, sequer pensou em um vôo de teste. Preparou logo suas coisas para a viagem definitiva, o que se resumia a colocar uma foto do pai no painel do avião e uma garrafa de água ao lado do assento, caso tivesse sede. Sua mãe assou uns bolinhos de aveia, que, por muita insistência da velha senhora, acabou levando.
Partiu assim que o sol tocou as montanhas no horizonte.

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