É mesmo impressionante como o comportamento humano pode ser tão contraditório. Falamos uma coisa quando queríamos dizer outra, ficamos quietos quando deveríamos desabafar, desapontamos quem a gente gosta, puxamos o saco de quem a gente detesta. E pra complicar, além de medos e inseguranças que nos fazem agir dessa maneira incoerente, coloque também na receita um elemento a mais. Uma pitada de paixão. Aí a vida fica maluca mesmo.
Por exemplo, acredito que todos nós temos um certo comportamento apaixonante. Ou seja, todos temos naturalmente um certo charme e certas qualidades capazes de atrair a suposta cara-metade. Logicamente, dependendo da afinidade de gostos e de uma leve ajuda do destino. Mas não resta nenhuma dúvida de que, ao agirmos naturalmente, nos tornamos muito mais atraentes. Sendo espontâneos somos engraçados, divertidos, verdadeiros. Apaixonantes.
Agora, uma vez atingidos pela tal flecha de Cupido, jogamos pela janela todo o nosso charme natural. Adeus comportamento apaixonante. Benvindo comportamento apaixonado. O encanto avassalador por nossa alma gêmea vai perigosamente nos levar a dois tipos de atitudes. Podemos nos isolar medrosamente de qualquer tipo de contato, se contentando eternamente com nossas fantasias platônicas. Ou passamos a dedicar toda nossa existência ao ser amado, nos transformando num legítimo grude, um tremendo baba-ovo, um chato de galochas.
Digamos que sejam dois comportamentos nada adequados a quem quer conquistar alguém. Quer maior contradição que essa? Quando finalmente precisamos contar com todas as nossas armas, pronto. A perna começa a tremer, o coração dispara, as idéias interessantes se evaporam, as sacadas divertidas desaparecem. E soltamos um comentário insosso, babaca ou grudento. Quem nunca pensou: Putz, o que é que foi que eu disse??
O legal é que não precisamos ser sempre assim. Lá no fundo ainda se esconde aquele comportamento realmente apaixonante. A naturalidade e a espontaneidade que vão verdadeiramente mostrar quem somos. É só não deixar que a paixão e a ansiedade escondam nossas qualidades. Então, definitivamente, nossas histórias de amor poderão ser um pouco menos contraditórias...
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Achei perdido em backups anteriores....de 2003!
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