domingo, 11 de novembro de 2007

Março de 2005.

Depois de muito quebrar a cabeça sobre o que escrever, pensei em escrever pela enésima vez sobre o amor, já perdi as contas de quantos textos eu tenho sobre os sentimentos humanos, mas eu não consigo escrever sobre sentimentos quando o mais belo deles não existe mais em minha vida, então, decidi abandonar meus assuntos preferidos, pois minha paixão, digo, inspiração se esgotou.

Eu já estava quase dormindo quando tive a idéia de escrever sobre o ato de escrever.

Que penosa tarefa!

Não sei se é mais difícil encontrar um assunto que me agrade ou desenvolver o assunto que escolhi.

Escrever tornou-se um prazer desde que aprendi a escrever o meu nome, pois sempre fui fascinada com a arte de preencher um papel em branco, e como alguns sabem o quanto eu sou egocêntrica, muitas vezes preencho um papel em branco com o meu nome apenas por me faltar conteúdo.

Para expor melhor a minha idéia permitam-me assumir o posto e o título de criadora.

Eu, como tal, sinto que sou dona de tudo que eu já rabisquei nos papéis ou que digitei no computador, no entanto, eu me sinto tão egoísta por guardar só pra mim os meus mais interessantes textos, os meus mais românticos textos de amor, as minhas mais apimentadas crônicas.

A relação entre criador e criação chama-me muito a atenção, principalmente pela dualidade estabelecida quanto ao domínio. O criador domina sua criação ou ele é por ela dominado?

O criador dedica seu tempo, sua energia para fazer o melhor de si, mas muitas vezes um trabalho de meses fica uma porcaria e um trabalho de sopetão é um tremendo sucesso, por isso frustra e supre as expectativas dos que se relacionam com a criação.

Um criador fica tão cego pela posse de sua cria que eu mesma destruí a minha primeira pasta de textos. Como eu jamais iria publicá-los, decidi pôr fim por sentir ciúmes só de imaginar que outros pudessem invadir meu universo "literário".

Aquele que cria nada mais é do que escravo de sua própria invenção, esta quando concretizada ganha vida própria e por si cria, ou melhor, transforma as vidas daqueles que tomam seu conhecimento.

Somos escravos porque usamos a criação para nos auto-afirmar, assim, nos submetemos ao que criamos e a expectativa de instigar aqueles que nos lêem, subjuga-nos.

Hoje, um pouco mais vivida e menos cega percebo que tudo que crio não me pertence, pois se fosse algo que me pertencesse não haveria porquê sair dos meus pensamentos para o papel.

Sempre que eu dispendo meu tempo a escrever, surge uma pergunta : pra que eu vou escrever, se eu escrevo tão mal e fulano escreve melhor que eu?

Eu disse pro Quick, um amigo que jogou a culpa em mim por ter interrompido suas atividades de criador, ninguém escreve melhor do que ninguém, o que existe é a diferença de estilos e é ela que permite que todos os tipos de leitores fiquem satisfeitos. Uma analogia: imagine se Cecília Meireles, minha poetisa preferida, decidisse parar de escrever só porque ela leu Machado de Assis e achou que ele escreve melhor que ela. São estilos diferentes e cada um tem sua grandiosidade.

Que droga, mais uma vez minha inspiração foi embora, ela se perdeu num mar de idéias, eram tantas que eu acabei me confundindo e elas se fundiram e ficaram tão disconexas que não valeria a pena compartilhá-las. Sinto-me frustrada por não ter conseguido desenvolver como gostaria este assunto.