Certa vez eu admirava a foto do meu irmão realizando suas peripécias caiaquísticas em um rio com corredeiras nada calmas. Um leigo pensaria...ele está afundando. Eu que o conheço e sei o preparo dele, sei que ele não estava afundando, estava apenas se divertindo e muito.
Refletindo sobre as perspectivas que adoto em minha vida. Muitas vezes, eu leiga em certo quesito penso que vou afundar, tudo vai dar errado....sendo que posso me divertir se olhar de uma outra maneira.
Assim é a vida...afundamos, caímos e as nossas habilidades se desenvolvem quando conseguimos começar de novo.
Eu não sei porque eu ainda insisto em tentar entender as pessoas uma vez que eu mesma não tenho capacidade de me entender, e por não admitir minha incapacidade transfiro aos outros a culpa que sinto, por não conseguir me entender, alegando que não consigo entendê-los. Que fraqueza!
Tentando em fortalecer concluí que enxergamos somente aquilo que queremos ver, possuímos a incrível maestria de interpretar as circunstâncias como nos convém e, também, o filósofo David Hume acrescentou ao meu raciocínio:
"Embora nosso pensamento pareça possuir esta liberdade ilimitada, verificaremos através de um exame mais minucioso, que ele está confinado dentro de limites muito reduzidos e que todo poder criador do espírito não ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, de aumentar ou de diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experiência."
Não haveria problema algum em visualizarmos o mundo como nos agrada se ele realmente fosse assim.
O que nos decepciona é o confronto da realidade com as nossas idealizações, pois quase sempre as nossas interpretações da realidade são carregadas de utopia.
Isso me faz lembrar da concepção de Platão sobre o que é perfeito. Segundo o filósofo, a perfeição existe no mundo das idéias do qual a realidade é um reflexo distorcido.
Interessante a contradição em que caí.
Falava de idealizar a realidade, enquanto Platão mostra que devemos 'realizar' as idéias.
Eu vivo com a imperfeição da realidade e dela crio minhas idéias ainda mais imperfeitas. Platão jamais me aceitaria como discípula. hehe..
Faço de minhas palavras, as mesmas de Karl Popper.
"Para concluir, acho que só há um caminho para a ciência - ou para a filosofia ( eu, Catherine, substituo as anteriores por VIDA ): encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonarmo-nos por ele; casarmo-nos com ele, até que a morte nos separe - a não ser que encontremos outro problema mais fascinante, ou a não ser que obtenhamos uma solução. Mas ainda que encontremos uma solução, poderemos descobrir, para nossa satisfação, a existência de toda uma família de encantadores, se bem que talvez difíceis, problemas-filhos, para cujo bem-estar, poderemos trabalhar, com uma finalidade em vista, até ao fim de nossos dias."

