quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Achei perdido em backups anteriores....de 2003!

É mesmo impressionante como o comportamento humano pode ser tão contraditório. Falamos uma coisa quando queríamos dizer outra, ficamos quietos quando deveríamos desabafar, desapontamos quem a gente gosta, puxamos o saco de quem a gente detesta. E pra complicar, além de medos e inseguranças que nos fazem agir dessa maneira incoerente, coloque também na receita um elemento a mais. Uma pitada de paixão. Aí a vida fica maluca mesmo.

Por exemplo, acredito que todos nós temos um certo comportamento apaixonante. Ou seja, todos temos naturalmente um certo charme e certas qualidades capazes de atrair a suposta cara-metade. Logicamente, dependendo da afinidade de gostos e de uma leve ajuda do destino. Mas não resta nenhuma dúvida de que, ao agirmos naturalmente, nos tornamos muito mais atraentes. Sendo espontâneos somos engraçados, divertidos, verdadeiros. Apaixonantes.

Agora, uma vez atingidos pela tal flecha de Cupido, jogamos pela janela todo o nosso charme natural. Adeus comportamento apaixonante. Benvindo comportamento apaixonado. O encanto avassalador por nossa alma gêmea vai perigosamente nos levar a dois tipos de atitudes. Podemos nos isolar medrosamente de qualquer tipo de contato, se contentando eternamente com nossas fantasias platônicas. Ou passamos a dedicar toda nossa existência ao ser amado, nos transformando num legítimo grude, um tremendo baba-ovo, um chato de galochas.

Digamos que sejam dois comportamentos nada adequados a quem quer conquistar alguém. Quer maior contradição que essa? Quando finalmente precisamos contar com todas as nossas armas, pronto. A perna começa a tremer, o coração dispara, as idéias interessantes se evaporam, as sacadas divertidas desaparecem. E soltamos um comentário insosso, babaca ou grudento. Quem nunca pensou: Putz, o que é que foi que eu disse??

O legal é que não precisamos ser sempre assim. Lá no fundo ainda se esconde aquele comportamento realmente apaixonante. A naturalidade e a espontaneidade que vão verdadeiramente mostrar quem somos. É só não deixar que a paixão e a ansiedade escondam nossas qualidades. Então, definitivamente, nossas histórias de amor poderão ser um pouco menos contraditórias...

domingo, 11 de novembro de 2007

Março de 2005.

Depois de muito quebrar a cabeça sobre o que escrever, pensei em escrever pela enésima vez sobre o amor, já perdi as contas de quantos textos eu tenho sobre os sentimentos humanos, mas eu não consigo escrever sobre sentimentos quando o mais belo deles não existe mais em minha vida, então, decidi abandonar meus assuntos preferidos, pois minha paixão, digo, inspiração se esgotou.

Eu já estava quase dormindo quando tive a idéia de escrever sobre o ato de escrever.

Que penosa tarefa!

Não sei se é mais difícil encontrar um assunto que me agrade ou desenvolver o assunto que escolhi.

Escrever tornou-se um prazer desde que aprendi a escrever o meu nome, pois sempre fui fascinada com a arte de preencher um papel em branco, e como alguns sabem o quanto eu sou egocêntrica, muitas vezes preencho um papel em branco com o meu nome apenas por me faltar conteúdo.

Para expor melhor a minha idéia permitam-me assumir o posto e o título de criadora.

Eu, como tal, sinto que sou dona de tudo que eu já rabisquei nos papéis ou que digitei no computador, no entanto, eu me sinto tão egoísta por guardar só pra mim os meus mais interessantes textos, os meus mais românticos textos de amor, as minhas mais apimentadas crônicas.

A relação entre criador e criação chama-me muito a atenção, principalmente pela dualidade estabelecida quanto ao domínio. O criador domina sua criação ou ele é por ela dominado?

O criador dedica seu tempo, sua energia para fazer o melhor de si, mas muitas vezes um trabalho de meses fica uma porcaria e um trabalho de sopetão é um tremendo sucesso, por isso frustra e supre as expectativas dos que se relacionam com a criação.

Um criador fica tão cego pela posse de sua cria que eu mesma destruí a minha primeira pasta de textos. Como eu jamais iria publicá-los, decidi pôr fim por sentir ciúmes só de imaginar que outros pudessem invadir meu universo "literário".

Aquele que cria nada mais é do que escravo de sua própria invenção, esta quando concretizada ganha vida própria e por si cria, ou melhor, transforma as vidas daqueles que tomam seu conhecimento.

Somos escravos porque usamos a criação para nos auto-afirmar, assim, nos submetemos ao que criamos e a expectativa de instigar aqueles que nos lêem, subjuga-nos.

Hoje, um pouco mais vivida e menos cega percebo que tudo que crio não me pertence, pois se fosse algo que me pertencesse não haveria porquê sair dos meus pensamentos para o papel.

Sempre que eu dispendo meu tempo a escrever, surge uma pergunta : pra que eu vou escrever, se eu escrevo tão mal e fulano escreve melhor que eu?

Eu disse pro Quick, um amigo que jogou a culpa em mim por ter interrompido suas atividades de criador, ninguém escreve melhor do que ninguém, o que existe é a diferença de estilos e é ela que permite que todos os tipos de leitores fiquem satisfeitos. Uma analogia: imagine se Cecília Meireles, minha poetisa preferida, decidisse parar de escrever só porque ela leu Machado de Assis e achou que ele escreve melhor que ela. São estilos diferentes e cada um tem sua grandiosidade.

Que droga, mais uma vez minha inspiração foi embora, ela se perdeu num mar de idéias, eram tantas que eu acabei me confundindo e elas se fundiram e ficaram tão disconexas que não valeria a pena compartilhá-las. Sinto-me frustrada por não ter conseguido desenvolver como gostaria este assunto.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Escrito no final de 2004.

Certa vez eu admirava a foto do meu irmão realizando suas peripécias caiaquísticas em um rio com corredeiras nada calmas. Um leigo pensaria...ele está afundando. Eu que o conheço e sei o preparo dele, sei que ele não estava afundando, estava apenas se divertindo e muito.

Refletindo sobre as perspectivas que adoto em minha vida. Muitas vezes, eu leiga em certo quesito penso que vou afundar, tudo vai dar errado....sendo que posso me divertir se olhar de uma outra maneira.

Assim é a vida...afundamos, caímos e as nossas habilidades se desenvolvem quando conseguimos começar de novo.

Eu não sei porque eu ainda insisto em tentar entender as pessoas uma vez que eu mesma não tenho capacidade de me entender, e por não admitir minha incapacidade transfiro aos outros a culpa que sinto, por não conseguir me entender, alegando que não consigo entendê-los. Que fraqueza!

Tentando em fortalecer concluí que enxergamos somente aquilo que queremos ver, possuímos a incrível maestria de interpretar as circunstâncias como nos convém e, também, o filósofo David Hume acrescentou ao meu raciocínio:

"Embora nosso pensamento pareça possuir esta liberdade ilimitada, verificaremos através de um exame mais minucioso, que ele está confinado dentro de limites muito reduzidos e que todo poder criador do espírito não ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, de aumentar ou de diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experiência."

Não haveria problema algum em visualizarmos o mundo como nos agrada se ele realmente fosse assim.

O que nos decepciona é o confronto da realidade com as nossas idealizações, pois quase sempre as nossas interpretações da realidade são carregadas de utopia.

Isso me faz lembrar da concepção de Platão sobre o que é perfeito. Segundo o filósofo, a perfeição existe no mundo das idéias do qual a realidade é um reflexo distorcido.

Interessante a contradição em que caí.

Falava de idealizar a realidade, enquanto Platão mostra que devemos 'realizar' as idéias.

Eu vivo com a imperfeição da realidade e dela crio minhas idéias ainda mais imperfeitas. Platão jamais me aceitaria como discípula. hehe..

Faço de minhas palavras, as mesmas de Karl Popper.

"Para concluir, acho que só há um caminho para a ciência - ou para a filosofia ( eu, Catherine, substituo as anteriores por VIDA ): encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonarmo-nos por ele; casarmo-nos com ele, até que a morte nos separe - a não ser que encontremos outro problema mais fascinante, ou a não ser que obtenhamos uma solução. Mas ainda que encontremos uma solução, poderemos descobrir, para nossa satisfação, a existência de toda uma família de encantadores, se bem que talvez difíceis, problemas-filhos, para cujo bem-estar, poderemos trabalhar, com uma finalidade em vista, até ao fim de nossos dias."

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Eu, por mim mesma...

Em Londrina, no dia 8 de maio de 1985, eu recebi a luz da vida e fui chamada Catherine Maria em homenagem à Senhora Ecatherine Fasano, que era grega, casada com o tio de Maria das Graças (minha mãe).

Minha pele é alva como o leite; meus cabelos são cacheados, tem tamanho médio e cor de avelã, os órgãos com que observo a beleza da vida têm raios cor-de-mel oriundos da pupila e o restante se completa com o verde das plantas.

Gosto de remar, gosto muito de ver as pessoas sorrindo, principalmente com os olhos, gosto de amar e ser amada. Desgosto de ver pessoas tristes e de guardar mágoas (meu grande defeito). Para não ferir quem amo, ao ficar nervosa, eu atiro bichinhos de pelúcia na parede para extravasar, mas quando fico feliz ou apaixonada é tão fácil saber pois ao olhar em meus olhos eles transparecem tudo o que sinto.

Às vezes, fujo dos problemas para não ter que solucioná-los, quando eu os encaros tento resolvê-los com bom humor.

Olhando metaforicamente no espelho vejo uma pessoa ciumenta, teimosa, geniosa, carinhos, e romântica tentando realizar seu maior objetivo: fazer as pessoas de meu convívio felizes para que eu alcance a plena felicidade.